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Mercado de Capitais · Estudo Quantitativo

Estrutura de capital e custo de dívida: o que os balanços das empresas brasileiras revelam

Prof. André Vasconcellos  ·  Publicado: 1 de agosto de 2026  ·  Atualizado: 2 de agosto de 2026

A relação entre alavancagem financeira e custo de capital é um dos temas centrais das finanças corporativas. No Brasil, essa relação apresenta particularidades que a distinguem de economias desenvolvidas — e que têm implicações diretas para a avaliação de empresas e para decisões de crédito.

Este estudo analisa os balanços de 80 empresas listadas na B3, cobrindo o período de 2018 a 2025, com foco na relação entre índice de alavancagem (dívida líquida/EBITDA), rating de crédito e custo efetivo de captação em debêntures e notas promissórias.

Principais achados

O custo médio de captação das empresas analisadas variou entre 105% e 140% do CDI no período, com dispersão significativa entre setores. Empresas de infraestrutura — com fluxo de caixa previsível e ativos reais como garantia — captaram consistentemente abaixo da média. Empresas de varejo e tecnologia, com maior volatilidade de receita, pagaram prêmios substanciais.

A alavancagem por si só não explica o custo de dívida. A qualidade do fluxo de caixa, a estrutura de garantias e o histórico de relacionamento com credores são variáveis igualmente relevantes.

Um achado relevante é a não-linearidade da relação entre alavancagem e custo de dívida. Até um índice de dívida líquida/EBITDA de 2,5x, o custo marginal de dívida adicional é relativamente baixo. Acima desse patamar, o prêmio de risco aumenta de forma acelerada — sugerindo um limiar de tolerância do mercado de crédito brasileiro.

Implicações para investidores

Para investidores em crédito privado, esses dados sugerem que a análise de alavancagem deve ser complementada por métricas de qualidade do fluxo de caixa. Um índice de cobertura de juros (EBIT/despesa financeira) abaixo de 2x é um sinal de alerta mais confiável do que o nível absoluto de dívida.

Prof. André Vasconcellos
Pesquisador — Mercado de Capitais
Professor de Finanças Corporativas na FGV-SP. Consultor em estrutura de capital e avaliação de ativos. [email protected]